Nada melhor que estrear aqui os meus relatos de ciclismo com o maior empeno que alguma vez apanhei. Foi no passado domingo, dia 23 de Maio de 2010, que eu e mais o meu amigo Bruno, armados em chicos espertos, decidimos-nos aventurar à descoberta de Lisboa e arredores. Um percurso supostamente inocente, veio a provar-nos que a altimetria gráfica é sempre diferente da realidade. Foi talvez uma lição de vida. E para além do empeno, levei para casa um maravilho bronze à trolha
(Mais depois da quebra
)
111 Quilómetros recheados de pura adrenalina, puro empeno e de dores de pernas que nos últimos quilómetros já andávamos a 15km/h no plano com dificuldades.
Despertador toca às 7h30. É hora de acordar e preparar as coisas para a maior volta da minha vida. Ligeiro pequeno-almoço tomado – uma sandes mista com um copo de sumo – foi vestir o magnífico equipamento do Glorioso, encher os bidons e sair de casa.
Eram oito horas e encontrei-me com o Bruno na estação de Paço de Arcos. Fizemos a primeira vistoria técnica às bicicletas, encher pneus, regular selins e tal. Felizmente o Bruno tinha quatro latas de cocacola e prontamente ofereceu-me duas
Seguimos viagem. A um bom ritmo chegamos rapidamente à zona que nós chamamos a “estrada dos camionistas”, uma estrada de camionistas paralela à Av. Infante Dom Henrique. Lá super tranquilos bebemos a nossa primeira cola e fomos conversando.
Foi na entrada para Alverca na N10 que começou a primeira dificuldade… A subida para Bucelas foi tão complicada que tivemos de beber a nossa ultima cocacola e a barra que tínhamos. E foi aqui que me deu o primeiro xlique desta volta, não ainda por causa da dificuldade da subida mas porque me apercebi que me esqueci da mer** dos 10€ em cima da mesa. O Bruno só tinha 3 aérios, e ainda faltavam mais de ¾ do traçado.
O segundo xlique deu-me a mim e ao meu amigo durante essa subida onde paramos diversas vezes para descansar. Mas após a bebida da última cocacola foi sempre sem parar.
O resto do percurso até à Malveira foi subida e descida constante. Já nos faltava a água e tivemos de recorrer a uma vivenda de um senhor que simpaticamente nos encheu os bidons.
E as dificuldades não paravam. Já eram duas da tarde estávamos quase em Mafra e já estávamos quase desfalecidos pela fome que tínhamos. Paramos nos Pães com Chouriço de Mafra onde com os 2€ compramos um pão com chouriço gigante e dividimos e com o outro euro compramos 6 bananas e dividimos. Foi uma pausa de 30 minutos que nos salvou de morrermos ali mesmo.
Continuamos para a Ericeira, e a dificuldade do dia chegou mais cedo do que pensamos. O Bruno achou por bem tomarmos um atalho devido ao cansaço, mas infelizmente esse atalho tinha uma subida que arrebentou-nos. Epá não sei, mas aquilo deveria ter à volta de 30% de inclinação. Já com dores em todos os lados lá decidimos terminar a subida à mão, numa altura em que um Renaut branco velho subia com bastantes dificuldades também.
Já na Ericeira chegou a suposta maior dificuldade, uma longa subida de aproximadamente sete quilómetros onde conseguimos fazer relativamente bem a um ritmo calmo, e só paramos uma vez para as ditas “necessidades fisiológicas” e para reabastecer os bidons num café.
Estávamos na N247 quando decidimos terminar a nossa volta. Foi pouco depois de Odrinha que a encostamos e chamamos os “carros de apoio”, que não posso deixar de agradecer pela ajuda que nos prestaram no transporte para casa
Poderíamos ter continuado? Sim. Mas num cruzamento manhoso na Malveira eu e o Bruno chocamos e ele acabou com a roda empenada, onde tivemos de remover até o travão traseiro para não travar continuamente a roda… Para além disso, faltavam aproximadamente 40 quilómetros e ao ritmo que estávamos a fazer, 10 ou 15km/h no plano, devido à falta de forças, iríamos demorar quatro horas a chegar a casa, algo impensável, visto serem aproximadamente 17h quando decidimos ficar por ali….
E valeu a pena esta volta, que alguns dirão irresponsável? Sim, claro que sim!!! Foi uma experiencia única onde aprendi imenso. Desde técnicas de gestão de esforço a como gerir uma subida correctamente. Vi paisagens maravilhosas durante todo o percurso, tivemos sempre ajuda dos populares, foi muito fixe. Repetir? Só daqui a uns tempos, quando a nossa forma estiver bem melhor

Então vamos lá aos dados desta voltinha
111km de distância.
Média 16km/h.
Máxima 53km/h.
Tempo a pedalar: 6h30m
Recursos:
À volta de oito bidons, três bananas, ½ de pão de Mafra




estamos sempre a aprender!
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