24 MayGiro a Lisboa em Bicicleta

Nada melhor que estrear aqui os meus relatos de ciclismo com o maior empeno que alguma vez apanhei. Foi no passado domingo, dia 23 de Maio de 2010, que eu e mais o meu amigo Bruno, armados em chicos espertos, decidimos-nos aventurar à descoberta de Lisboa e arredores. Um percurso supostamente inocente, veio a provar-nos que a altimetria gráfica é sempre diferente da realidade. Foi talvez uma lição de vida. E para além do empeno, levei para casa um maravilho bronze à trolha :) (Mais depois da quebra :) )

111 Quilómetros recheados de pura adrenalina, puro empeno e de dores de pernas que nos últimos quilómetros já andávamos a 15km/h no plano com dificuldades.

Despertador toca às 7h30. É hora de acordar e preparar as coisas para a maior volta da minha vida. Ligeiro pequeno-almoço tomado – uma sandes mista com um copo de sumo – foi vestir o magnífico equipamento do Glorioso, encher os bidons e sair de casa.

Eram oito horas e encontrei-me com o Bruno na estação de Paço de Arcos. Fizemos a primeira vistoria técnica às bicicletas, encher pneus, regular selins e tal. Felizmente o Bruno tinha quatro latas de cocacola e prontamente ofereceu-me duas :)

Seguimos viagem. A um bom ritmo chegamos rapidamente à zona que nós chamamos a “estrada dos camionistas”, uma estrada de camionistas paralela à Av. Infante Dom Henrique. Lá super tranquilos bebemos a nossa primeira cola e fomos conversando.

Foi na entrada para Alverca na N10 que começou a primeira dificuldade… A subida para Bucelas foi tão complicada que tivemos de beber a nossa ultima cocacola e a barra que tínhamos. E foi aqui que me deu o primeiro xlique desta volta, não ainda por causa da dificuldade da subida mas porque me apercebi que me esqueci da mer** dos 10€ em cima da mesa. O Bruno só tinha 3 aérios, e ainda faltavam mais de ¾ do traçado.

O segundo xlique deu-me a mim e ao meu amigo durante essa subida onde paramos diversas vezes para descansar. Mas após a bebida da última cocacola foi sempre sem parar.

O resto do percurso até à Malveira foi subida e descida constante. Já nos faltava a água e tivemos de recorrer a uma vivenda de um senhor que simpaticamente nos encheu os bidons.

E as dificuldades não paravam. Já eram duas da tarde estávamos quase em Mafra e já estávamos quase desfalecidos pela fome que tínhamos. Paramos nos Pães com Chouriço de Mafra onde com os 2€ compramos um pão com chouriço gigante e dividimos e com o outro euro compramos 6 bananas e dividimos. Foi uma pausa de 30 minutos que nos salvou de morrermos ali mesmo.

Continuamos para a Ericeira, e a dificuldade do dia chegou mais cedo do que pensamos. O Bruno achou por bem tomarmos um atalho devido ao cansaço, mas infelizmente esse atalho tinha uma subida que arrebentou-nos. Epá não sei, mas aquilo deveria ter à volta de 30% de inclinação. Já com dores em todos os lados lá decidimos terminar a subida à mão, numa altura em que um Renaut branco velho subia com bastantes dificuldades também.

Já na Ericeira chegou a suposta maior dificuldade, uma longa subida de aproximadamente sete quilómetros onde conseguimos fazer relativamente bem a um ritmo calmo, e só paramos uma vez para as ditas “necessidades fisiológicas” e para reabastecer os bidons num café.

Estávamos na N247 quando decidimos terminar a nossa volta. Foi pouco depois de Odrinha que a encostamos e chamamos os “carros de apoio”, que não posso deixar de agradecer pela ajuda que nos prestaram no transporte para casa :) Poderíamos ter continuado? Sim. Mas num cruzamento manhoso na Malveira eu e o Bruno chocamos e ele acabou com a roda empenada, onde tivemos de remover até o travão traseiro para não travar continuamente a roda… Para além disso, faltavam aproximadamente 40 quilómetros e ao ritmo que estávamos a fazer, 10 ou 15km/h no plano, devido à falta de forças, iríamos demorar quatro horas a chegar a casa, algo impensável, visto serem aproximadamente 17h quando decidimos ficar por ali….

E valeu a pena esta volta, que alguns dirão irresponsável? Sim, claro que sim!!! Foi uma experiencia única onde aprendi imenso. Desde técnicas de gestão de esforço a como gerir uma subida correctamente. Vi paisagens maravilhosas durante todo o percurso, tivemos sempre ajuda dos populares, foi muito fixe. Repetir? Só daqui a uns tempos, quando a nossa forma estiver bem melhor :)

Então vamos lá aos dados desta voltinha

111km de distância.
Média 16km/h.
Máxima 53km/h.
Tempo a pedalar: 6h30m

Recursos:
À volta de oito bidons, três bananas, ½ de pão de Mafra

2 Comentários para “Giro a Lisboa em Bicicleta”

  1. Rui says:

    estamos sempre a aprender!

  2. VTR1000 Lady says:

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